Segundo a evidência científica, não há nenhum alimento ou nutriente específico que possa prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19: até porque se houvesse, esta situação não teria atingido as proporções que atingiu a nível mundial. Ainda assim, o facto da ciência apontar neste sentido não invalida que muitos auto-apelidados “experts” na matéria promovam a venda de suplementos e alimentos milagrosos: este artigo serve exactamente para desmistificar esse tipo de práticas.
Neste momento, as medidas de higiene e etiqueta respiratória abordadas em artigos anteriores são a melhor forma de prevenir a doença.
Apesar de não existir uma relação entre o consumo de alimentos ou nutrientes específicos e o reforço do sistema imunitário, é importante distinguirmos prevenção e protecção de imunocompetência. Uma alimentação saudável não garante protecção contra o vírus mas pode ajudar no prognóstico e levar a que os sintomas sejam mais leves (apesar de se continuar a ser um veículo de transmissão da doença). Neste âmbito, existem medidas muito simples e acessíveis a qualquer um de nós que têm um efeito positivo a nível do sistema imunitário:
1. DEIXAR DE FUMAR
Talvez a medida mais importante de todas ainda que muitas vezes seja a mais desvalorizada. Toda a situação actual de insegurança e incerteza pode actuar como um estímulo para os fumadores, que procuram aliviar o stress no tabaco. O tabaco lesa os tecidos pulmonares e aumenta a produção de muco na árvore brônquica, aumentando a dificuldade respiratória. Os dados actuais indicam que quem é fumador tem maior risco de contrair infecções pulmonares bacterianas e virais, sendo que é expectável que esse risco também esteja aumentado para o novo coronavírus. Ainda que se saiba que a recuperação da capacidade pulmonar não seja imediata quando se cessam os hábitos tabágicos, deixar de fumar é uma medida que deve ser incentivada.

2. TREINAR DE FORMA REGULAR E TER UM PESO SAUDÁVEL
Esta fase de quarentena levou a que a maioria das pessoas ficassem mais sedentárias. Mesmo para quem tenha mantido os treinos em casa, a verdade é que a actividade física involuntária diminuiu abruptamente: o caminhar para o carro, ir para o trabalho, subir e descer escadas etc. Sabe-se que a prática de exercício físico regular diminui a probabilidade de infecções e parece ter ainda efeitos positivos a nível do prognóstico de infecções respiratórias. A obesidade é outro factor de risco para o infecções, sendo que nesses casos emagrecer é também uma medida importante.
3. RESTRINGIR O CONSUMO DE ÁLCOOL
Tal como o tabaco, o consumo de álcool poderá ter aumentado neste período como uma forma de atenuar o stress e a ansiedade. Ainda assim, os dados existentes demonstram que o excesso de álcool tem efeitos negativos a nível da imunidade respiratória, sendo que o seu consumo deverá ser desencorajado.

4. HIGIENE DE SONO
A falta de sono parece aumentar a susceptibilidade a doenças infecciosas. Neste campo, a prática de atividade física regular e estruturada pode ajudar na promoção de um sono de maior qualidade, bem como o recurso a técnicas de relaxamento como a meditação.

NOTA: PARA A SUPLEMENTAÇÃO VITAMÍNICA
Apesar da suplementação com vitaminas C e D ter sido muito divulgada nas redes sociais, não existe evidência de que tenha efeito a nível da prevenção ou do tratamento da infecção causada pelo novo coronavírus. O que os estudos existentes demonstram é que poderá haver uma diminuição muito ligeira do número de dias de infecção por gripe – isto porque um a maioria dos estudos são feitos para o vírus da gripe (influenza). Dado estarmos a lidar com um vírus completamente novo, não há ainda estudos suficientes que nos permitam tirar novas conclusões. Deste modo, não faz sentido suplementar com mega doses destes componentes.
As indicações são simples: Fazer uma alimentação variada e equilibrada. Os alimentos ricos em vitamina C podem e devem fazer parte da rotina diária – frutos vermelhos, laranja, kiwi, pimentos, brócolos, couve galega.
Quanto à vitamina D, a exposição solar de curta duração (10 minutos) sem protecção e fora das horas de maior calor é a forma mais eficaz para obtermos esta vitamina.

Artigo by Nutricionista Maria Travassos no Health Club Visconde
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